Ver mais fotos
NOTÍCIAS
Técnica revolucionária para tratamento de obstruções coronarianas é utilizada no Hospital Paraná

As placas coronarianas são inicialmente lipídicas, passando posteriormente por uma fase de fibrose e, finalmente, ocorre deposição de cálcio, o que as torna muito mais rígidas. A calcificação coronariana é um dos grandes desafios da cardiologia intervencionista, pois se a lesão calcificada não for bem dilatada, o stent (prótese metálica que tem a função de manter as artérias do coração abertas) ficará mal expandido. A hipoexpansão do stent está frequentemente associada a falha do dispositivo, ou seja, à reestenose (reobstrução).

Temos vários dispositivos que podem ser utilizados em caso de calcificação grave. Cateteres balões não complacentes, os quais suportam altas pressões de insuflação são uma opção. No entanto, o risco de ruptura do vaso e a falha em fraturar calcificações mais profundas são algumas de suas principais limitações.

O Rotablator (dispositivo em forma de ogiva, que quando girado a aproximadamente 180.000 RPM, faz ablação/desgaste do cálcio mais superficial) permite, mais facilmente, a posterior fratura da placa de cálcio com cateter balão. A aterectomia orbital e o laser, menos disponíveis em nosso meio, são também eficazes no manejo de lesões calcificadas, porém também têm várias limitações.

Comercialmente disponível no Brasil e de acesso razoavelmente fácil, o Rotablator é o método mais utilizado no manejo de lesões muito calcificadas. Tem curva de aprendizado longa e demanda conhecimento técnico específico, aquém da angioplastia rotineira. Dissecção intimal (laceração da camada mais interna da artéria), perfuração da artéria e aprisionamento do dispositivo dentro das coronárias são complicações temerárias. Outra limitação extremamente importante são as calcificações coronarianas mais profundas na parede do vaso, pois a aterectomia tem penetração de apenas 1 a 2 mm.

A litotripsia intracoronariana (“Shockwave Balloon”) é técnica disponível no Brasil e no Japão desde o mês de junho de 2022, nos Estados Unidos há um ano e na Europa há quatro anos.

Consiste na utilização de um cateter balão específico, com dois pontos internos que emitem ondas acústicas. Este, insuflado a baixa pressão na topografia onde se encontra o cálcio, é conectado magneticamente a um console gerador de energia sônica. Ciclos de 10 pulsos intercalados a cada segundo são emitidos, até um limite total de 8 ciclos. A penetração dos pulsos é de 7 mm, o que possibilita a fratura de calcificações graves e mais profundas do que o alcançado com aterectomia rotacional e com cateteres balões não complacentes.

Com curva de aprendizado curta e de fácil manuseio por ter grande semelhança com os cateteres balões usados rotineiramente nas angioplastias, torna-se técnica muito atrativa e de grande resolutividade.  Com o cálcio fraturado é possível liberação e expansão adequada dos stents, que não tem função de dilatar a artéria, mas sim de manter a mesma aberta.

O estudo disrupt CAD III (J Am Coll Cardiol. 2020 Dec, 76 (22) 2635–2646) mostrou índices de complicações graves menores do que 1% com a utilização deste dispositivo, trazendo além de efetividade, segurança ao procedimento.

O dispositivo recentemente liberado no Brasil foi utilizado em evento de lançamento em poucos grandes centros. Os cinco primeiros casos dos Hospitais integrantes da rede DASA foram realizados no Hospital Paraná, em Maringá-PR, entre os dias 16 e 23/07/2022, com sucesso e sem intercorrências, pelo Dr. Marcos Franchetti e sua equipe. O médico é entusiasta da técnica e a entende como uma mudança de paradigma no tratamento das lesões coronarianas calcificadas, cada vez mais frequentes com o envelhecimento da população.

Dr. Marcos Franchetti (CRM-PR 18303)

 

Central de Atedimento
44 3218.4000
Ouvidoria
Elogios, críticas e sugestões
Hospital Paraná | Copyright © 2022 - Todos os direitos reservados.